A INOVAÇÃO NO PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS EXPORTADORAS DO SUL DE SANTA CATARINA

Amanda Locks, Julio Cesar Zilli

Resumo


A inovação pode ser definida, de acordo com Drucker (2005), como a atribuição de novas capacidades para recursos já existentes, gerando desta forma, riqueza para a organização. A inovação refere-se à “[...] introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado no que concerne a suas características ou usos previstos [...]” (MANUAL DE OSLO, 2005, p. 57).
Para a visão Schumpeteriana, um dos precursores na discussão referente à inovação, há o entendimento de que a inovação é promotora de mudança, de forma que o desenvolvimento econômico se dá por meio da utilização de novas combinações de recursos produtivos, novos processos de produção, novos mercados, novas fontes de oferta de matéria-prima e novas formas de
organização industrial, como um processo por ele chamado de “destruição criadora” (SCHUMPETER, 1982). Segundo Chesbrough (2003), inovação pode ainda ser divida entre dois grupos, a inovação fechada e a inovação aberta. O primeiro grupo (inovação fechada) limita o processo de inovação a pesquisas e desenvolvimento dentro da organização. O modelo de inovação aberta considera novas possibilidades, conhecimentos e tecnologias externas à organização,
propondo a formação de parcerias com universidades, outras organizações e governo, ao potencializar resultados e acelerar o processo de inovação. Ainda a respeito das características da inovação, Furquim e Arantes (2011) informam que a inovação pode ser classificada de duas formas, i) a inovação radical, quando o produto é totalmente novo e inexistente no mercado, ou ii) a
inovação incremental, quando é fruto do aprimoramento de um produto já existente. Tushman e Nadler (1997) denominam a inovação que deriva de um produto ou processo já existente como, a inovação sintética. Se a inovação for resultado de pesquisa ou aplicação de tecnologias sem precedentes, então é denominada inovação descontínua. No tocante a inovação, a indústria brasileira
apresenta uma evolução tardia, pois de acordo com Brito et al. (2009), o Brasil concentrou energias para o aumento de produtividade em setores tradicionais, o que resultou na perda de participação em seguimentos dinâmicos como a indústria automobilística, equipamentos eletrônicos, computadores e
químico. Para Brito et al. (2009), os esforços empregados para o ganho de eficiência produtiva emanou em negligência de trabalhos direcionados para criação de produtos e processos inovadores.
De acordo com dados do Global Competitiveness Report (2012-2013) e The Global Innovation Index (2012), 80% dos países mais inovadores, como a Suíça, Estados Unidos da América, Suécia, Finlândia, Cingapura e Hong Kong, se destacam como os mais competitivos no mercado global, uma vez que estes estão fortemente impulsionados pelo crescimento baseado na inovação. Por
conseguinte, a inovação é ressaltada pelo Global Competitiveness Report (2012-2013), como um dos pilares essenciais para o aumento de competitividade de um Estado, e que a inovação tecnológica garante maior produtividade e retorno para organização. Desta maneira, Knight e Cavusgil (2004), afirmam que a inovação ou os conhecimentos gerados durante o processo de
inovação, é o fator propulsor para a internacionalização, pois o processo de internacionalização da organização já representa sua capacidade inovadora. Com enfoque no Sul Catarinense, cabe mencionar que a economia desta região possui características próprias, com destaque para o setor de revestimentos cerâmicos, que conta com grandes empresas nacionais e internacionais, principalmente vinculadas aos coloríficos no município polo de Criciúma. Também se ressalta a presença das indústrias transformadoras de polímeros (Braço do Norte, Orleans e Grão-Pará), tintas, carvão, vestuários, metal mecânica (Nova Veneza) e química. O setor agropecuário está presente nos
municípios de Içara, Nova Veneza, Forquilhinha, Orleans e Morro Grande, com a presença de integrados (suinocultura e avicultura) vinculados às agroindústrias. Em Urussanga há atividades relacionadas à vinicultura e vitivinicultura, sobressaindo-se a Indicação de Procedência dos Vales da Uva Goethe (IPVUG). O cultivo de arroz, fumo, banana e a indústria de beneficiamento de arroz
estão presentes em Araranguá, Santa Rosa do Sul e Praia Grande, bem como as atividades pesqueiras nos municípios de Laguna, Arroio do Silva e Passo de Torres. Estes setores estão devidamente internacionalizados, com exportações e importações, destinadas e oriundas dos diversos polos produtores mundiais, como destaque para os mercados americano, europeu e asiático. Assim,
a partir desse contexto, a pesquisa tem por objetivo analisar o papel da inovação no proceso de internacionalização das empresas exportadoras do Sul de Santa Catarina.


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ISSN 2594-4908