MONOTONGAÇÃO E DITONGAÇÃO EM TEXTOS ESCOLARES: UMA ANÁLISE SOCIOLINGUÍSTICA COM ÊNFASE NO LETRAMENTO

Valdir Manoel Alves Neto, Angela Di Palma Back

Resumo


Partindo do pressuposto de que os alunos das classes menos favorecidas, em virtude das poucas oportunidades de acesso a situações de letramento, podem ter maior dificuldade na escrita, atendo-se de modo mais consistente junto à cultura oral, este artigo procura identificar as ocorrências da oralidade junto às produções textuais e explicar como os fenômenos de monotongação e ditongação migram da oralidade para a escrita. Para subsidiar esta proposta, fundamenta-se com base na teoria sociolinguística, trazendo para as discussões, vez por outra, teóricos cuja abordagem pode ser correlacionada aos postulados de natureza social. O corpus deste trabalho constitui-se de sessenta cartas de alunos do sexto ano do Ensino Fundamental de três escolas, frequentadas por classes sociais distintas, do município de Criciúma SC, desenvolvidas em sala de aula sem intervenção dos professores na escrita discente. É possível considerar, com base na amostra estudada, que os fenômenos de monotongação não se alteram quantitativamente em virtude da classe social dos alunos, já os fenômenos de ditongação alteram-se substancialmente, ocorrendo em menor grau nas classes socioeconomicamente favorecidas, justamente por terem acesso a mais situações de letramento e, conseguindo, mesmo que intuitivamente mobilizar os registros de adequação à escrita. Com relação às ocorrências de transferência de unidades linguísticas da oralidade para a escrita, concluiu-se que o fenômeno existe e isso pode estar associado à falta de prática de leitura e escrita, recorrendo, assim, o aluno, no momento de representar graficamente a língua, em conformidade com a cultura oral da qual faz parte, oriunda principalmente de seu grupo familiar e social com o qual interage.

 

Partindo do pressuposto de que os alunos das classes menos favorecidas, em virtude das poucas oportunidades de acesso a situações de letramento, podem ter maior dificuldade na escrita, atendo-se de modo mais consistente junto à cultura oral, este artigo procura identificar as ocorrências da oralidade junto às produções textuais e explicar como os fenômenos de monotongação e ditongação migram da oralidade para a escrita. Para subsidiar esta proposta, fundamenta-se com base na teoria sociolinguística, trazendo para as discussões, vez por outra, teóricos cuja abordagem pode ser correlacionada aos postulados de natureza social. O corpus deste trabalho constitui-se de sessenta cartas de alunos do sexto ano do Ensino Fundamental de três escolas, frequentadas por classes sociais distintas, do município de Criciúma SC, desenvolvidas em sala de aula sem intervenção dos professores na escrita discente. É possível considerar, com base na amostra estudada, que os fenômenos de monotongação não se alteram quantitativamente em virtude da classe social dos alunos, já os fenômenos de ditongação alteram-se substancialmente, ocorrendo em menor grau nas classes socioeconomicamente favorecidas, justamente por terem acesso a mais situações de letramento e, conseguindo, mesmo que intuitivamente mobilizar os registros de adequação à escrita. Com relação às ocorrências de transferência de unidades linguísticas da oralidade para a escrita, concluiu-se que o fenômeno existe e isso pode estar associado à falta de prática de leitura e escrita, recorrendo, assim, o aluno, no momento de representar graficamente a língua, em conformidade com a cultura oral da qual faz parte, oriunda principalmente de seu grupo familiar e social com o qual interage.


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