TRAJETÓRIAS DE MULHERES COM DEFICIÊNCIA: DO ENSINO SUPERIOR AO MERCADO DE TRABALHO SOB O OLHAR DO GÊNERO

Janaína Damásio Vitório, Giani Rabelo

Resumo


Este estudo se refere a uma pesquisa em andamento, do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (Mestrado) da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), que tem o intuito de compreender a condição da mulher com deficiência no mercado de trabalho, egressa do ensino superior. A educação, por muitas décadas, foi marcada por um processo de exclusão, desrespeitando o indivíduo na sua singularidade, sem dar espaço para que este fosse capaz de desenvolver e socializar seus conhecimentos e habilidades. Mello (2012) nos traz que a revisão das políticas públicas que aconteceram a partir do século XXI está presente no cenário atual que apresenta o crescimento no número de pessoas com deficiência na rede regular de ensino e no ensino superior. O INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa) mostra que as matrículas de pessoas com deficiência aumentaram quase 50% nos últimos quatro anos, sendo a maioria em cursos de graduação presenciais (INEP, 2014). A questão da pessoa com deficiência, em décadas passadas, foi vista no que se refere o modelo biomédico, onde se verificava e buscava possibilitar a inserção da pessoa com deficiência com vista a funcionalidade do sujeito. Frente a isto, esta pesquisa busca dar visibilidade a um grupo social duplamente marginalizado, pelo fato de serem mulheres e a questão da deficiência. A pesquisa então pretende analisar a inserção das mulheres com deficiência, egressas dos cursos de graduação da Unesc no mercado de trabalho no período de 2006 a 2014, com o intuito de conhecer seu papel no desenvolvimento socioeconômico da região, enquanto força de trabalho, levando-se em consideração o processo de divisão sexual do trabalho e, consequentemente, as relações de gênero. A relevância desse estudo se dá principalmente, em função da invisibilidade das mulheres deficientes no mercado de trabalho, inclusive quando são portadoras de um diploma de ensino superior. Pretende-se contribuir para uma reflexão acerca da forma como vem ocorrendo a inserção e permanência das mulheres deficientes no mercado de trabalho, a fim de dar visibilidade a estes sujeitos que socialmente sofrem uma dupla marginalização, por serem mulheres e deficientes. Fazer um levantamento de informações, a fim de traçar uma caracterização das egressas da UNESC com deficiência, buscando compreender de que modo a graduação teve contribuição para sua colocação profissional, como também se a sua posição no mercado está adequada à sua área de formação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, com a utilização de questionários e história oral (CHIZOTTI, 2014). Serão aplicados questionários às egressas dos cursos de graduação da UNESC, que concluíram sua formação entre os anos de 2006 a 2014 ao todo são 38 egressas que se auto declararam
Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC Página 2
deficientes (dados obtidos no departamento de tecnologia informação/UNESC). O questionário será enviado as 38 egressas, e serão selecionadas 4 egressas, sendo uma de cada Unidade Acadêmica (Ciências Sociais Aplicadas, A seleção e dará por sorteio. As entrevistas com as 04 egressas serão agendadas previamente em local de fácil acesso para as entrevistadas.

Palavras-chave: Gênero, Mulheres com Deficiência, Ensino Superior.


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