COOPERATIVISMO E A GESTÃO SOCIAL DEMOCRÁTICA COMO FORMA DE DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO

Fábio Visintin, Dimas de Oliveira Estevam

Resumo


É notável que as cooperativas, desde o seu surgimento, se encontram em constante desenvolvimento, bem como vêm passando por grandes transformações em sua conjuntura social que exigem mudanças profundas para sobreviverem em um mundo globalizado. Essas estão inseridas num contexto capitalista de não cooperação, competitividade e centralização do poder. Tal plano de fundo naturaliza uma postura mais egocêntrica dos indivíduos ao invés de posicionamentos de cooperação, inclusive dentro das cooperativas. Assim, não raras vezes, cada cooperado visa benefícios individuais e não coletivos, o que acaba fulminando com o propósito dos idealizadores de Rochdale, que tinham por finalidade a união para a extinção de desigualdades e as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. Nesta perspectiva, surge a problemática de que esse enorme desenvolvimento influenciou no panorama atual do cooperativismo no Brasil, transformando as cooperativas em grandes empresas de cunho capitalista e desvinculadas dos princípios norteadores do cooperativismo, entre eles o da Gestão social democrática. Dessa forma, é válida a premissa de que a era globalizada permitiu avanços, mas em compensação, também gerou consequências econômicas e sociais negativas, entre elas, concentração de riquezas, desemprego, desequilíbrio ambiental, monopólios, entre outros. O setor financeiro está adquirindo, cada vez mais, autonomia nas decisões e um maior controle sobre o setor produtivo. Esse processo é liderado por multinacionais que visam expandir sua produção e diminuir despesas acarretando uma crescente exploração dos trabalhadores. Nesta toada, necessário se faz a implementação e aplicação nas cooperativas de uma Gestão Social Democrática, diante da necessidade de tomada de decisões que resultem em benefícios em prol das necessidades dos associados e da comunidade em que a cooperativa está inserida, sem afastar-se do custo do processo para esta tomada de decisão. Com isso visa criar um espaço para descentralização das decisões, oportunidade de acesso às informações e, acima de tudo, capacidade de participação associativa por parte dos cooperados. A ideia é criar um ambiente em que os associados, se identificam com a sociedade cooperativista e assim, possam ter um reduto da segurança e se sintam donos, uma vez que atualmente as cooperativas contam com mais de mil associados, sendo cada vez mais difícil a aplicação dos princípios cooperativistas na prática, principalmente no que concerne a tomada de decisões, sendo assim, necessário se faz criar um ambiente gestionário democrático e social, como forma de garantir a perpetuação dos ideais cooperativistas. Sendo assim, a gestão social democrática visa alcançar um desenvolvimento socioeconômico atrelado ao sentimento participativo e de inserção na tomada de decisões. Tal postura resulta em um aumento da confiança e fidelidade dos indivíduos
Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC Página 2
envolvidos neste cenário. O equilíbrio entre as extremidades, presidente e associados nas resoluções a serem tomadas, evitaria uma decisão completamente centralizada na pessoa do presidente da cooperativa e decisões completamente descentralizadas por meio das Assembleias Gerais Ordinárias, representando o ótimo processo de decisão e o ponto onde os custos e processo de tomada de decisão são os mínimos possíveis e assim os mais eficientes.

Palavras-chave: Cooperativismo; Gestão Social Democrática; Desenvolvimento Socioeconômico.


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