OS TRABALHADORES NOS LIVROS DIDÁTICOS DE HISTÓRIA NA DITADURA CIVIL-MILITAR (1964-1985)

Erick Martignago Dagostin, Rayane Layra de Souza, João Henrique Zanelatto

Resumo


Durante a vigência da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), se solidifica a presença do capital na economia nacional, com a concentração das multinacionais nas capitais e formando uma massa de trabalhadores brasileiros explorados com as condições de trabalho opressivas, a política de arrocho salarial por parte do governo e da censura e perseguição aos movimentos, aos interesses e as manifestações sociais, incluindo aqui a destituição de direções sindicais e a cassação de seus líderes, com a substituição por sindicalistas afinados com os interesses do empresariado. A classe trabalhadora protagoniza as greves de Osasco e Contagem em 1968, porém a imediata ação do estado ditatorial para reprimir os grevistas, somado a publicação do Ato Institucional nº 5 naquele ano, solidificaram o autoritarismo sob a sociedade e o silenciamento das vozes que denunciassem as políticas de exploração e as violações dos direitos humanos. Com os espaços de discussão política cerceados, e a rearticulação da esquerda revolucionária nos movimentos de bairros, como as comunidades eclesiais de base ligadas à Igreja, os movimentos de educação popular e os clubes de mães, tais movimentos com tendência a auto organização tornam-se a referência onde a classe trabalhadora nas periferias passa inicialmente a visualizar os problemas do seu bairro; tal reflexão propicia o surgimento de movimentos da sociedade organizada como o Custo de Vida. A partir dessa reorganização dos movimentos sociais de novo tipo, temos a classe operária novamente aparecendo no cenário nacional, a partir das greves nas montadoras multinacionais do ABC Paulista em 1978 e do consequente embate com a repressão da ditadura do grande capital, por meio também da estrutura do sindicalismo de Estado brasileiro. Tendo como referências para o aporte teórico a História do trabalho, e usando como fonte de pesquisa quatro livros didáticos do 9º ano do ensino fundamental, usados no triênio 2017-18-19 nas escolas públicas municipais e estaduais brasileiras, nossa pesquisa busca analisar como a classe trabalhadora é apresentada nesses livros, de modo a perceber algumas nuances de como esse tema é tratado nas escolas, apoiado em livros didáticos que, enquanto política de Estado dos últimos 20 anos no Brasil, constituem um mercado rico e disputado para as editoras.
Palavras – chave: Trabalhadores, Livros Didáticos, Ditadura Civil – Militar.


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