MAPEAMENTO PSICOSSOCIAL PARTICIPATIVO: DIFICULDADES E POTENCIALIDADES PARA INSERÇÃO DE AÇÕES DE GERAÇÃO DE RENDA NO CAPS III DO MUNICIPIO DE CRICIÚMA-SC

Patrícia Medeiros Romansini, Dipaula Minotto da Silva

Resumo


Este trabalho é resultado da experiência em Estágio de Psicologia Social, do curso de psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense. O objetivo do estágio foi de identificar as principais formas de estimular o desenvolvimento de ações de Geração de Renda no CAPS III, na perspectiva da economia solidaria, dos princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica Brasileira. O trabalho teve referencial teórico a Psicologia Social a partir de Guareschi (2007) e Jacques (2013); a História da loucura e Políticas de Saúde Mental, a partir de Foucault (2014), Dimenstein (2001) e Amarante (2013); institucionalização em Saúde Mental, Desinstitucionalização e Reforma Psiquiátrica Brasileira, com Martinhago (2015) e Rotelli (2001); e por fim, estudou-se Reabilitação Psicossocial, Geração de Renda em Saúde Mental e Economia Solidária com Pitta (2001) e diretrizes do ministério da saúde brasileiro. As atividades realizadas no período de estágio se dividiram entre realização do mapeamento psicossocial participativo junto a pesquisa documental, e realização de sete encontros com o Grupo de Terapia Ocupacional, com duração de 1h30min, proporcionando um espaço de vivências e diálogos. Nos encontros abordou-se sobre temas que contribuíram para a reflexões sobre economia solidária, autonomia e a história da reforma psiquiátrica e criação dos CAPS. O mapeamento psicossocial participativo teve como público alvo os usuários do CAPS III participantes no mês de maio de 2018, considerados em situação de vulnerabilidade quanto ao aspecto socioeconômico, avaliados pela assistente social do serviço. Os dados levantados foram encontrados em prontuários físicos e diálogo com equipe, e registrados em planilha de Excel. Os principais indicadores investigados foram: gênero, situação de renda, profissão, bairro, habitação, escolaridade, idade, estado civil e diagnóstico psiquiátrico. Com o mapeamento, entendeu-se que há mais mulheres que homens frequentando o serviço, com faixa etária média de 45 anos, apresentando baixa escolaridade, pouca identidade profissional, e tendo a depressão como transtorno mais comum, confirmando que a vulnerabilidade socioeconômica é o elo que propicia à fragilidade psicossocial destes usuários. As fragilidades aparecem nas dimensões: econômico-ocupacional, sócio familiar, da cidadania, das representações sociais. Verificou-se a importância da criação de projetos com foco na Geração de Renda que atendam este público visto que o CAPS é o dispositivo prioritário de reabilitação psicossocial. De acordo com Pitta (2001), A reabilitação psicossocial enquanto poder contratual ocorre em três dimensões básicas da vida: habitação, relações sócio-afetivas e trabalho com valor social. Valorizar o sujeito para além da “doença”, permite que este compreenda melhor seus direitos enquanto cidadãos, colaborando na proposta de desinstitucionalização em saúde mental.
Palavras-chave: Economia solidária, CAPS III, mapeamento psicossocial, vulnerabilidade socioeconomica


Texto completo:

PDF


Direitos autorais 2018 Seminário de Ciências Sociais Aplicadas

ISSN 2236-1944