AUTONOMIA FEMININA NO MEIO RURAL: O ESTUDO DA COOPERATIVA DE MULHERES DE SÃO LUDGERO/SC

Suzane Grimm, Dimas de Oliveira Estevam

Resumo


Ao longo do tempo as mulheres foram colocadas em uma posição secundária e inferior na sociedade, exercendo o trabalho reprodutivo e de cuidados, cumprindo atividades no âmbito privado, distante do espaço público ocupado pelos homens. Nesse cenário restrito, sua autonomia era quase inexistente, e as decisões de sua vida sempre foram, de forma geral, tomadas por homens: seja seu pai quando solteira, ou seu marido quando casada. Com o passar dos anos, e com os ganhos conquistados pelos movimentos de luta e reivindicatórios dos direitos das mulheres, o cenário mudou em alguns aspectos, e se manteve em outros. Uma importante mudança se deu com a ampla aceitação das mulheres no mercado de trabalho, que apesar de ainda sofrerem com muitas desigualdades de gênero, tem na sua atividade profissional uma forma de gerar renda e promover sua emancipação. Um dos movimentos de luta por igualdade, e que também se apresenta como uma possibilidade de emancipação das mulheres, se encontra na economia solidária, que por meio das suas práticas busca promover a igualdade entre todos os participantes, inclusive no que diz respeito às questões de gênero. Na agricultura familiar, as mulheres têm vislumbrado na economia solidária, especialmente nas cooperativas, uma forma de serem inseridas nos círculos sociais, políticos e econômicos de forma menos desigual. Inspiradas no modelo de cooperativa descentralizada, e com o objetivo de comercializar diretamente seus produtos no mercado, e com isso, valorizar o trabalho das mulheres e da cultura local, foi criado no ano de 2013, no município de São Ludgero/SC, a Cooperativa de Mulheres Agricultoras e Artesãs (Cooperação). Atualmente, a cooperativa comercializa seus produtos para programas governamentais, além da Feira de Produtos Coloniais da cidade, local onde se originou o grupo. A cooperativa tem por característica, ser formada por mulheres, e desde o princípio as tem como maioria dos associados. Desta forma o presente resumo busca estudar o processo de constituição da Feira de produtos coloniais e da Cooperação, tendo como protagonistas as mulheres e o papel da economia solidária na promoção da autonomia destas agricultoras e artesãs. Para compreender as particularidades do objeto de estudo, foram pesquisados dados relativos ao município de São Ludgero/SC, bem como, da trajetória da Feira e da Cooperação. Também foram realizadas entrevistas informais para apreensão da percepção dessas mulheres em relação a sua trajetória e aos desafios percebidos por elas. Como resultado, constatou-se que as mulheres agricultoras e artesãs, participantes da Feira de produtos coloniais e da Cooperação, são protagonistas em suas ações, liderando tanto a produção, comercialização e também o gerenciamento da Feira e da Cooperativa. Para se ter uma ideia da composição do quadro de associados/as da cooperativa, do total de 28 cooperados/as, 25 são mulheres e apenas 03 são homens.
Palavras-chave: autonomia feminina, economia solidária, agricultura familiar.


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