JUVENTUDE NEGRA DE CRICIÚMA: PAUTAS POLÍTICAS E MOBILIZAÇÃO SOCIAL ENTRE OS ANOS DE 1980 E 1990

Cristiane Dias, Ismael Gonçalves Alves

Resumo


Os Movimentos Sociais na atualidade tem atuado por meio de redes locais, regionais, nacionais e internacionais, utilizando-se dos novos meios de comunicação e informações a que se tem acesso. Para chegarmos neste cenário a que se contextualizar todo o processo histórico, a caracterização e importância dos movimentos sociais no desenvolvimento socioeconômico da região. Para este estudo demarcamos o entendimento do que são os movimento sociais a partir de Gohn (2015), para quem são ações sociais coletivas de caráter sociopolítico e cultural que viabilizam distintas formas da população se organizar e expressar suas demandas. Neste estudo, centraremos nossa atenção no movimento negro e sua importância na consolidação de espaços políticos, sociais e culturais que reconheçam suas demandas e especificidades. Segundo Alberti e Pereira (2005) o racismo no Brasil guarda especificidades em relação a outros países, como a África do Sul e os Estados Unidos. Isso faz com que o movimento negro no Brasil também seja específico, embora tenha recebido influências das lutas pela libertação nos países africanos e pelos direitos civis nos EUA. O grande desafio do movimento negro brasileiro, especialmente a partir da década de 1970, foi enfrentar o “mito da democracia racial”, que ganhou força principalmente após a publicação do clássico Casa grande & senzala, de Gilberto Freyre, em 1933. Segundo esse mito, as relações de raça no Brasil seriam harmoniosas e a miscigenação seria a contribuição brasileira à civilização. Seguindo essa linha de pensamento, como não haveria preconceito de raça no Brasil, o atraso social do negro dever-se-ia exclusivamente à escravidão (e não ao racismo). Completa esse argumento o fato de as Constituições brasileiras elaboradas a partir da abolição da escravidão nunca terem diferenciado os cidadãos por raça ou cor, ao contrário do que acontecia nos EUA e na África do Sul. Como lutar contra o racismo se o racismo “não existia”? – esse era um dos principais problemas que se apresentavam aos militantes do movimento negro na década de 1970. O presente estudo tem por objetivo geral analisar a participação dos jovens na formação do movimento negro da Cidade de Criciúma entre as décadas de 80 e 90, e como objetivos específicos apresentar o histórico e o processo de formação destes os Movimentos, identificar as principais “bandeiras” políticas da juventude negra no processo de redemocratização do Brasil, descrever como se deu a inserção dos jovens negros nas pautas dos movimentos sociais nas décadas de 80 e 90. Para atingir os objetivos propostos os autores realizarão uma pesquisa qualitativa, utilizando como meio de investigação as pesquisas documental e bibliográfica. Com dados coletados por meio das entrevistas estruturadas com os jovens representantes e envolvidos nos movimentos sociais nas décadas de 80 e 90 da Cidade de Criciúma em Santa Catarina. Trazer por meio da história oral, fatos, contextos e relatos de como se deu a participação destes jovens no movimento negro das décadas referenciadas trata-se de um desafio que precisa ser superado. Dar voz aqueles que em muitos momentos da nossa história local não tiveram voz, traduzir estas histórias por meio de uma pesquisa acadêmica e de extrema relevância e contribuição para a história do movimento negro de Criciúma.
Palavras-chave: Movimento Negro, juventude e desenvolvimento.


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