MIGRAÇÕES PARA A ITÁLIA CONTEMPORÂNEA E O DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO DO SUL CATARINENSE: UMA ANÁLISE A PARTIR DA TRAJETÓRIA DE TRABALHADORES/AS DO MUNICÍPIO DE CRICIÚMA E NOVA VENEZA

Nathália Pereira Cabral, João Henrique Zanelatto

Resumo


O sul catarinense é uma região marcada por diversos fluxos migratórios. Em fins do século XIX centenas de famílias europeias provenientes de distintos países foram inseridas em diferentes projetos migratórios cujo objetivo era povoar e desenvolver economicamente uma região que era considerada pelo império brasileiro e posteriormente, pelo governo republicano um “vazio demográfico”. No sul catarinense foram criadas, nesse período, as colônias Azambuja (1877), Grão-Pará (1882), Urussanga (1878), Cresciuma (1880), e já no governo republicano, a Colônia Nova Veneza (1891). As antigas colônias se fragmentaram política e geograficamente dando origem a diversos municípios do sul catarinense. Atualmente os/as descendentes destes/as imigrantes estão se inserindo em um novo movimento migratório, acionando a dupla cidadania para alavancar projetos pessoais, motivados por diversos objetivos, dentre os quais destacamos o capital cultural e econômico, este último em especial. Neste sentido, buscaremos analisar como as migrações contemporâneas, contribuem ou não para o desenvolvimento socioeconômico da região. Esse processo de uma “busca pela identidade” pautado pela questão étnica, passa a ser reafirmado na década de 1970 no Rio Grande do Sul, ganhando força em Santa Catarina na década de 1980, quando ocorreram as comemorações dos centenários de imigração em diversas cidades do Brasil meridional, em especial, nos dois estados acima citados. Nesse movimento, muitos/as descendentes procuraram obter a dupla cidadania italiana. As “migrações de retorno” configuram-se como a volta a uma Itália imaginada e narrada por seus parentes, sendo a idealização quebrada ao contato com o local de destino, pois os/as emigrantes que aqui manifestam um sentimento de pertencimento a uma cultura italiana, lá geralmente são tratados/as como estrangeiros/as, mostrando o quão diversa e complexa são as migrações de retorno, que não apresentam nem a Itália imaginada e idealizada a partir dos relatos familiares e nem evocam o sentimento de pertencimento tão reivindicado nas cidades de colonização. Estes movimentos migratórios protagonizados pelos/as descendentes já foram estudados no Rio Grande do Sul por Luis Fernando Beneduzi (2004) e Maria Catarina Chitolina Zanini (2002); e em Santa Catarina por Gláucia de Oliveira Assis (2004), Emerson César Campos e Michele Gonçalves Cardoso (2011). Entretanto, ainda são poucos os trabalhos locais que buscam analisar os impactos socioeconômicos desses fluxos contemporâneos nas cidades do sul catarinense, em especial em Criciúma e Nova Veneza, e tendo como recorte as migrações direcionadas somente para a Itália. Em 2011, em sua dissertação de mestrado, Michele Gonçalves Cardoso analisou os investimentos realizados pelos criciumenses que migraram para os Estados Unidos ao longo da década de 1990, a partir da conquista da dupla cidadania italiana, e percebeu que as remessas enviadas por este grupo foram determinantes para o aquecimento da construção civil na cidade de Criciúma. Deste modo, este projeto, que encontra-se em estágio inicial, tem como objetivo geral: identificar as ações e investimentos de trabalhadores/as migrantes em seus locais de origem no sul catarinense. Para a construção desse trabalho, iremos nos ancorar na metodologia da história oral, em diálogo com as abordagens teóricas sobre migrações, memória, trabalho e gênero.

Palavras – chave: Trabalhadores, Desenvolvimento Socioeconômico, Migração Contemporânea.


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