O CINEMA COMO TRABALHO E O TRABALHO NO SUL CATARINENSE COMO ROTEIRO: IMBITUBA E URUSSANGA SOB O OLHAR DE WILLIAM GERICKE

Isadora Farias Espíndola, Tiago da Silva Coelho

Resumo


A seguinte pesquisa buscou analisar aspectos do cotidiano de trabalho no sul catarinense durante a década de 1940 nas cidades de Urussanga e Imbituba, retratados pelo cineasta paulista William Gericke, bem como os discursos que incentivaram as produções do cineasta e ainda os aspectos técnicos das filmagens que proporcionam um maior entendimento sobre as presenças e ausências presentes nos documentários.
O cineasta William Gericke, viajou o Brasil de norte a sul entre as décadas de 1930 e 1960, filmando, produzindo e vendendo seus documentários para as empresas e prefeituras das cidades retratadas, incentivado também pelos projetos propostos por Getúlio Vargas a partir de 1932, com o objetivo de fomentar os discursos nacionalistas por meio dos audiovisuais.
Analisar as produções desenvolvidas por Gericke é também uma forma de compreender a venda de filmes realizada neste período no país como forma de existir dos cineastas do período, e por tanto passa a ser também, uma análise do cotidiano de trabalho dos mesmos.
Para traçar os caminhos propostos e chegar aos objetivos deste trabalho, foi necessário compreender inicialmente os aspectos da modernidade, que incentivaram os discursos de progresso presentes nas produções cinematográficas do período, enfatizando e valorizando as estruturas fabris e o papel dos patrões. O estudo técnico das filmagens, também tornaram-se necessários, uma vez que os quadros, narrações e recortes dão tom ao enredo das produções.
Por fim, para compreendermos a exposição das imagens sobre o trabalho operário no sul catarinense, é possível utilizar as ideias referentes ao visível e o invisível (MENEZES, 2005)
nas imagens do documentário Urussanga de William Gericke pois ao analisarmos a composição entre narrativa e imagem, percebemos que o que não está nas imagens, encontra-se muitas vezes representados pelo que está.
Nesse sentido, tanto o trabalho em Urussanga como em Imbituba, destacado por William Gericke em seus documentários, fizeram parte deste cenário, uma vez que o contexto de filmagem está intimamente ligado com o de trabalho na mineração no sul catarinense e principalmente pelo discurso de progresso que inundava não só a elite e os proprietários de
companhias carboníferas ou empresas, mas também o imaginário popular que cedeu, ou
obrigou-se a ceder, ao discurso da modernização do seu espaço comum.


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