MULHERES E DESIGUALDADES DE GÊNERO NO MERCADO DE TRABALHO: RELATOS DAS PARTICIPANTES DO PROJETO AMORA

Camila Maffioleti Cavaler, Maria Rachel da Silva de Melo, Mônica Ovinski de Camargo Cortina

Resumo


A desigualdade de gênero atinge as mais variadas culturas e demarca o déficit de direitos para as mulheres, sendo que o âmbito do trabalho é um dos principais desafios para a equidade entre homens e mulheres. Diante disso, as universidades têm um importante papel no que tange ao ensino, a pesquisa e a extensão como estratégia de enfrentamento das desigualdades sociais. Método: O método empregado para a realização do presente estudo foi o dedutivo, a partir de revisão bibliográfica e observação participante, que resultaram em registros dos diários de campo confeccionados pelas bolsistas do projeto. Objetivos: A pesquisa têm por objetivo analisar os resultados do projeto de extensão Amora: Capacitando Mulheres em Direitos Humanos, em especial o módulo “mulheres e mercado de trabalho”, que constitui um dos eixos da capacitação promovida pelo projeto para grupos mulheres atendidas nos CRAS de Criciúma-SC. Discussão: Inicialmente foi problematizado com os grupos participantes acerca das desigualdades históricas que colocaram as mulheres em uma condição de inferioridade aos homens no mercado de trabalho. Após isso, explanou-se sobre os conceitos de trabalho produtivo e reprodutivo. Além disso, entendendo que a educação é um caminho para reduzir as desigualdades de gênero, foram compartilhadas informações acerca de programas de educação de jovens e adultos, bem como de cursos profissionalizantes oferecidos gratuitamente na região. Surgiram muitos relatos de mulheres que abandonaram sua atividade profissional e/ou pararam de estudar para dedicar-se aos trabalhos domésticos. Diante disso, foi intuito do módulo estimular o resgate de sonhos e objetivos de vida. As participantes trouxeram em suas falas as discriminações de classe sofridas no mercado de trabalho, como a dificuldade de conseguir emprego devido a visibilidade negativa do bairro onde residem, o que em muitos casos faz com que elas coloquem um endereço fictício em seus currículos. Também há relatos de dispensa do trabalho durante o período de gestação, ou desvio de funções para que estas pedissem demissão, casos de violação dos direitos trabalhistas. Outro obstáculo enfrentado é o fato de terem filhos pequenos, o que faz com que muitas empresas não as contratem por acreditar que a taxa de absenteísmo é maior nesse perfil de mulher.

Conclusão: Os relatos que afloram nos discursos das participantes são um instrumento para o reconhecimento de como essas mulheres elaboram e significam suas trajetórias de vida, atravessadas pela desvalorização do trabalho reprodutivo e, centradas na supervalorização do trabalho produtivo. É possível perceber ainda, a maneira como lidam com a dupla jornada de trabalho e a convergência dos projetos de vida em torno do cuidado com os/as filhos/as. Logo, entende-se que é preciso avançar na implementação de políticas públicas sociais específicas para as mulheres, colocando a educação e a igualdade de renda como pontos centrais do debate, além de iniciativas que estimulem a repartição do trabalho reprodutivo e a equidade de gênero no âmbito doméstico.

Palavras-chave: Mulheres, Trabalho, Gênero, Extensão.


Texto completo:

PDF


Direitos autorais 2018 Seminário de Ciências Sociais Aplicadas

ISSN 2236-1944