OS POVOS ORIGINÁRIOS, AS POPULAÇÕES AFRO-BRASILEIRAS E A IDENTIDADE EUROCÊNTRICA NAS COLEÇÕES TESOURO DA JUVENTUDE E MUNDO DA CRIANÇA

Ariel Alves Medeiros, Carlos Renato Carola

Resumo


As duas coleções Tesouro da Juventude e Mundo da criança tiveram ampla circulação no âmbito escolar e familiar nas décadas de 1920 a 1950, fazendo assim parte do processo educacional de diversas crianças e jovens brasileiros. Ao nos depararmos com as duas coleções alguns aspectos podem ser percebidos, o eurocentrismo e a colonialidade do saber e poder como norteadores na sua escrita. O eurocentrismo irá caracterizar-se como uma forma de pensamento que colocará a Europa como o lugar de foco, hierarquizando e subalternizado os saberes de outros continentes como o Latino Americano. E a colonialidade criará uma ideia de raça, em seu sentido mais moderno, que antes da experiência no continente americano não era conhecida na história, os processos colonialistas e as relações sociais entre colonizadores e os povos originários criou uma “identidade racial“ cada vez mais hierárquica e segregatória como instrumentos de classificação social básica da população. A partir destas duas concepções podemos pensar a “linha” identitária que as duas coleções iram perpetuar, tendo assim como principais agentes e processos históricos fatores intimamente relacionados ao continente europeu. Outros agentes históricos como os povos originários e a população afro-brasileira terão uma ínfima participação na história nacional e consequentemente na identidade brasileira que se estava tentando preservar, os mesmos serão então relacionados aos períodos do “descobrimento” para os povos originários e o colonial e monárquico para as populações afro-brasileiras, em sua maioria ainda relacionando-os a condição de escravos. Podemos perceber então tanto a enciclopédia Tesouro da Juventude quanto Mundo da Criança tiveram a pretensão de perpetuar uma identidade que condizia com o discurso presentes tanto no século XIX quanto início do século XX, esta historiografia e criação identitária não será um fator isolado brasileiro, mas sim um movimento que as jovens nações latino americanas recém independentes iram criar para seus respectivos países, historiografias e identidades voltadas para o continente europeu, criando e perpetuando um eurocentrismo historiografia e identitário.

Palavras – chave: Enciclopédia, Identidade, Decolonialidade.


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