O “mundo cão” e a tropa de elite: a discriminação da violência sagrada e da violência profana

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18616/rdsd.v8i1.7311

Resumo

No presente artigo apresentamos uma análise do longa-metragem Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010), do diretor José Padilha, a partir dos conceitos de “violência profana” e violência sagrada”. Mais especificamente, trata-se de uma análise que almeja estabelecer os pormenores de como o enredo da obra em questão discrimina determinadas personagens entre aquelas que, por se tratarem de indivíduos “éticos” ou “moralmente corretos”, podem (ou mesmo devem) deter posse/levar à cabo uma violência de caráter sagrado, e aquelas que, sendo “corruptas” ou “imorais”, se encontram no âmbito de uma violência de caráter profano. Em outras palavras, temos uma discriminação entre uma violência correta/exaltável/justificada e uma violência condenável/incorreta/injustificável. Fato que leva esta análise a abordar as tramas da presente obra tanto no sentido de esclarecer até que ponto ela apresenta uma relação “moralista” entre determinados atores do cotidiano nacional (quais sejam, a mídia tradicional, a polícia responsável pela segurança pública, e as Forças Armadas) e o combate ao advento de um cenário sócio-político-cultural propício à ascensão e expansão de grupos milicianos quanto no sentido de indicar o possível risco simbólico que a elaboração das ditas tramas apresenta para a poliarquia brasileira. Qual seja, o de oferecer uma justificativa “moralista” para violações de direitos em nome da defesa da própria democracia.

Palavras-chave: BOPE, Milícias, Mundo Cão, Violência Profana, Violência Sagrada.

Biografia do Autor

Leonardo Corrêa Figueira, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Tenho experiência na área de Ciências Sociais, com ênfase em Sociologia. Conclui no primeiro semestre de2017 o curso de Bacharelado em Ciências Sociais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e o meuMestrado em Sociologia no primeiro semestre de 2020 pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Com relaçãoàs linhas de pesquisa de meu interesse, meu foco principal é na área de Sociologia das Imagens e MídiasAudiovisuais, com ênfase em práticas sociais da memória, no papel dos discursos na construção de sujeitossociais em diferentes contextos, e em textos literários e artes visuais, como cinema e fotografia. Possuo nívelprofissional em inglês e avançado em espanhol e francês, tendo sido aprovado em todos os exames deproficiência pela Universidade de Cambridge (FCE, CAE e CPE), e em um exame avançado de francês (DELF B2). E, atualmente, estou cursando o Doutorado em Ciências Sociais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Marcos Alexandre dos Santos Albuquerque, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais (PPCIS) e no Programa de Pós-graduação em História da Arte (PPGHA). Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011). Possui graduação em Ciências Sociais, com habilitação em antropologia, pela Universidade Federal de Campina Grande (2002) e mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (2005). Atualmente é Coordenador do N.A.d.A (Núcleo de Antropologia da Arte) - UERJ, também é filiado ao NEPI (Núcleo de Estudos das Populações Indígenas) - UFSC, ao LACED (Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento) - UFRJ, e vinculado à rede RAMA (Rede de pesquisas em memória, identidade, poder, ambiente e território). Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Etnicidade, Performance, Antropologia da Arte e Antropologia Visual, atuando principalmente nos seguintes temas: indígenas em contexto urbano, arte étnica, museus e vídeo etnográfico. (Texto informado pelo autor)

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Publicado

2022-11-11

Como Citar

FIGUEIRA, L. C.; ALBUQUERQUE, M. A. dos S. O “mundo cão” e a tropa de elite: a discriminação da violência sagrada e da violência profana. Desenvolvimento Socioeconômico em Debate, [S. l.], v. 8, n. 1, p. 4–24, 2022. DOI: 10.18616/rdsd.v8i1.7311. Disponível em: https://periodicos.unesc.net/ojs/index.php/RDSD/article/view/7311. Acesso em: 3 dez. 2022.

Edição

Seção

Dossiê: Poder, Mídia e Democracia: usos e abusos