SAÚDE MENTAL, OFICINAS DE MÚSICA E OS EN(CANTOS) E DESEN(CANTOS) DO VIVER: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM UM CAPS

Autores

  • Patrick dos Santos Joaquim
  • Daiani Barboza

Resumo

O presente trabalho trata-se de um relato de experiência de Estágio Supervisionado em Psicologia Social vinculado ao Curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, o qual foi realizado pelo primeiro autor sob orientação da segunda autora, no período de fevereiro a julho de 2019, no Centro de Atenção Psicossocial - CAPS de Içara – SC. Os CAPS se caracterizam como importantes dispositivos dentro do contexto da Reforma Psiquiátrica e da Saúde Pública, acolhendo pessoas com sofrimento psíquico grave e persistente, apoiando-os na busca de sua autonomia, por meio do cuidado dentro do próprio território (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2013). O objetivo geral do estágio foi contribuir com a potência de agir de usuários do CAPS de Içara, em prol de sua saúde e cidadania. Para levantamento das demandas psicossociais nesse contexto foi utilizada a observação participante, houve conversas informais com profissionais e usuários do serviço bem como participação nos acolhimentos e nos grupos de psicoterapia. As atividades foram realizadas com dois grupos, o “Não intensivo” e o “Semi-Intensivo”, por meio de relato das histórias de vida e oficinas de música com a participação de aproximadamente dez usuários do serviço por encontro. O trabalho com as histórias de vida recorre às narrativas das trajetórias dos membros do grupo, contribuindo com o seu processo de reconhecimento enquanto sujeitos (SANTOS; SANTOS, 2008). Para Araújo et al. (2016) tal proposta não se torna apenas narrativa, mas auxilia as pessoas a ressignificarem suas histórias e permite que possam reescrevê-las. A partir das contribuições da Psicologia Histórico-Cultural, Maheirie (2003) afirma que a música pode ser qualificada como uma forma de comunicação que mediante a polifonia que carrega permite que os sujeitos construam diferentes sentidos no que se refere à composição de sua melodia e letra. Cumpre dizer que, evidenciou-se que muitas das histórias relatadas durante os encontros no CAPS estavam amalgamadas às músicas escolhidas pelos participantes no contexto grupal, as quais retratavam o seu sofrimento psicossocial delineado a partir da trama de relações sociais em que inscrevem. Entende-se, que o processo de reflexão sobre suas trajetórias, tanto quanto o modo de as relatarem, escutarem e serem escutados permitiu-lhes uma ressignificação e (re) elaboração dessas situações, conforme visualizado na própria sensação de “alívio” que os integrantes do grupo relataram sentir após contarem suas histórias. No decorrer das atividades alguns membros do grupo relataram que as práticas contribuíram para a expressão de seus sentimentos e emoções e com sua potência de agir no cotidiano, como também relacionaram o passado ao presente e enxergaram outras possibilidades de agir e en(cantos) ao viver. Por fim, ao avaliarem o estágio os sujeitos declararam que atingiu os objetivos propostos.

Palavras-Chave: Atenção Psicossocial; oficinas de música, potência de agir.

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Publicado

2019-11-05