SISTEMA DOPAMINÉRGICO NO ABUSO DE ÁLCOOL: REVISÃO SISTEMÁTICA

Autores

  • Rudielly Marques
  • Maria Cecilia Manenti Alexandre
  • Eduardo Pacheco Rico
  • Carla Sasso Simon
  • Maria Inês da Rosa

Resumo

O consumo do álcool em excesso é considerado um grave problema de saúde, causando danos não somente ao usuário, mas também ao seu ciclo social, familiar e profissional. O álcool é classificado como uma droga lícita com relevante aceitação social, no entanto, estima-se que o consumo excessivo gerou 3,3 milhões de mortes (5,9%) no mundo. O transtorno por uso de álcool possui uma prevalência de 8,5% em adultos nos Estados Unidos. As vias mesolímbica e mesocortical, funcionam paralelamente entre si e com as demais estruturas cerebrais e configuram o sistema de recompensa cerebral, sendo que a dopamina é o principal neurotransmissor presente neste sistema. À vista disso, as drogas psicoativas produzem um aumento da descarga de dopamina no sistema de recompensa, assim sendo, a via de recompensa dopaminérgica é a principal do sistema de recompensa cerebral, porém não é a única. A estimulação contínua de dopamina dessensibiliza os sistemas de recompensa, fazendo com este que deixe de responder aos estímulos cotidianos e a única coisa que se torna gratificante é a droga. Com o uso prolongado, a droga perde sua capacidade de recompensa, causando a necessidade do aumento de dose. Visto isso, foi realizada uma revisão sistemática para avaliar o sistema dopaminérgico no abuso de álcool em humanos. Desta forma foi desenvolvida uma estratégia de busca utilizando os seguintes termos: “dopamine”, “ethanol”, “alcohol” e “positron-emission tomography", pesquisados nas bases de dados: MEDLINE, EMBASE, Cochrane Library, Insight e Literatura cinzenta (Google Scholar e British Library), para estudos publicados até agosto de 2018. A qualidade dos estudos foi avaliada Newcastle-Ottawa (NOS). A população do estudo foi restrita para humanos. Foram encontrados 293 estudos. Após leitura de títulos e resumos, 235 estudos foram considerados irrelevantes, pois não atenderam aos critérios de inclusão. 50 estudos foram para a leitura na íntegra. Destes, 41 foram excluídos pelas seguintes razões: desenho do estudo, população de pacientes, intervenção e resultados. Nove estudos foram incluídos na síntese qualitativa. Quatro estudos relataram redução na disponibilidade apenas no receptor D2 em diferentes regiões do cérebro. Em relação ao receptor D3, apenas um estudo relatou esse achado e quatro estudos relataram uma diminuição em ambos os receptores D2 e D3. Assim, pode-se concluir que nesta revisão sistemática foram encontradas alterações nos receptores D2 em várias regiões do cérebro em humanos alcoolistas.

Palavras-Chave: Sistema Dopaminérgico, Revisão Sistemática, Álcool.

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Publicado

2019-11-05