Seletividade Punitiva e o Controle Social
A Criminalização da Bigamia como Instrumento de Manutenção do Paradigma Monogâmico no Brasil
Resumo
O presente resumo expandido aborda a criminalização da bigamia no
ordenamento jurídico brasileiro como instrumento de seletividade punitiva para
manutenção do modelo monogâmico tradicional, analisando seus impactos na
limitação das relações afetivas plurais e na violação de direitos fundamentais. A
pesquisa delimita-se ao estudo do artigo 235 do Código Penal brasileiro e suas
implicações na vedação do reconhecimento jurídico das famílias poliafetivas,
contrapondo-se aos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da
pluralidade familiar estabelecidos na Constituição Federal de 1988.
Nesse aspecto, este trabalho analisa como a criminalização da bigamia viola
direitos fundamentais como dignidade da pessoa humana, autonomia privada e
igualdade, questionando o modelo monogâmico hegemônico, compreendendo a
importância do reconhecimento jurídico de famílias poliafetivas, com uma perspectiva
pluralista do direito de família. Diante disso, o foco central está na defesa da
pluralidade familiar como expressão dos direitos humanos fundamentaisA investigação busca responder em que medida a tipificação penal da bigamia
constitui um mecanismo de seletividade punitiva para manutenção da monogamia,
afrontando os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da
pluralidade familiar no contexto das relações poliafetivas contemporâneas.
O objetivo central desta pesquisa consiste em demonstrar que a tipificação
penal da bigamia no ordenamento jurídico brasileiro constitui forma de seletividade
punitiva voltada à manutenção do modelo monogâmico tradicional, limitando o
exercício da autonomia privada e violando direitos fundamentais das pessoas em
relações poliafetivas.
Para alcançar o objetivo geral proposto, estabeleceram-se os seguintes
objetivos específicos: analisar o sistema punitivo seletivo brasileiro e suas
características de controle social; examinar a evolução do conceito de família no
direito brasileiro e a persistência do paradigma monogâmico; investigar os
fundamentos jurídicos das relações poliafetivas como expressão da autonomia
privada e dignidade humana; identificar as violações de direitos fundamentais
decorrentes da criminalização das famílias simultâneas; e propor reflexões sobre a
necessidade de adequação normativa à realidade social contemporânea.
A pesquisa adota abordagem qualitativa, utilizando método dedutivo a partir de
revisão bibliográfica especializada em Direito Penal, Direito de Família e Criminologia
Crítica. Emprega-se análise documental da legislação brasileira pertinente, incluindo
o Código Penal, Código Civil e Constituição Federal, bem como jurisprudência dos
tribunais superiores e doutrina nacional e internacional sobre o tema. O referencial
teórico fundamenta-se nas contribuições de Eugenio Raul Zaffaroni sobre seletividade
punitiva, Howard Becker sobre teoria do etiquetamento, Michel Foucault sobre
controle social, e autores contemporâneos do Direito de Família como Luis Alberto
Warat e Rafael da Silva Santiago. A metodologia contempla ainda análise crítica
interdisciplinar que incorpora aspectos sociológicos, antropológicos e filosóficos para
compreensão integral do fenômeno estudado.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Declaro (amos) que a pesquisa descrita no manuscrito submetido está sob nossa responsabilidade quanto ao conteúdo e originalidade, além de não utilização de softwares de elaboração automática de artigos. Concordamos ainda com a transferência de direitos autorais a Revista de Extensão da Unesc.
Na qualidade de titular dos direitos autorais relativos à obra acima descrita, o autor, com fundamento no artigo 29 da Lei n. 9.610/1998, autoriza a UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense, a disponibilizar gratuitamente sua obra, sem ressarcimento de direitos autorais, para fins de leitura, impressão e/ou download pela internet, a título de divulgação da produção científica gerada pela UNESC, nas seguintes modalidades: a) disponibilização impressa no acervo da Biblioteca Prof. Eurico Back; b) disponibilização em meio eletrônico, em banco de dados na rede mundial de computadores, em formato especificado (PDF); c) Disponibilização pelo Programa de Comutação Bibliográfica – Comut, do IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia.
O AUTOR declara que a obra, com exceção das citações diretas e indiretas claramente indicadas e referenciadas, é de sua exclusiva autoria, portanto, não consiste em plágio. Declara-se consciente de que a utilização de material de terceiros incluindo uso de paráfrase sem a devida indicação das fontes será considerado plágio, implicando nas sanções cabíveis à espécie, ficando desde logo a FUCRI/UNESC isenta de qualquer responsabilidade.
O AUTOR assume ampla e total responsabilidade civil, penal, administrativa, judicial ou extrajudicial quanto ao conteúdo, citações, referências e outros elementos que fazem parte da obra.