PARA ALÉM DA TOLERÂNCIA, A INTERCULTURALIDADE CRÍTICA

A HERMENÊUTICA DIATÓPICA COMO MÉTODO DE RESSIGNIFICAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA LATINA

Autores

  • Paulo Cesar Velho Steccanella
  • Débora Ferrazzo

Resumo

O presente artigo analisa criticamente os limites do multiculturalismo liberal na
efetivação dos Direitos Humanos na América Latina, argumentando que a mera
política de reconhecimento não tem sido capaz de enfrentar a persistente
colonialidade do poder, do saber e do ser. O objetivo central é demonstrar que a
interculturalidade crítica, concebida como projeto político e epistêmico, constitui um
paradigma mais transformador para a construção de sociedades plurais e
emancipatórias. Para tanto, adota-se como metodologia a hermenêutica diatópica,
formulada por Raimon Panikkar e desenvolvida por Boaventura de Sousa Santos,
compreendida como método dialógico capaz de promover encontros entre topoi
culturais distintos. A pesquisa se apoia em revisão bibliográfica crítica e análise
teórico-comparativa entre as categorias de multiculturalismo e interculturalidade,
mobilizando autores como Catherine Walsh, Aníbal Quijano e Enrique Dussel. Os
resultados apontam que a hermenêutica diatópica potencializa a interculturalidade
crítica ao favorecer um diálogo descolonial entre os direitos humanos ocidentais e as
cosmovisões dos povos originários e afrodescendentes, contribuindo para a
formulação de uma concepção plural, heterodoxa e contra-hegemônica da dignidade
humana.

Biografia do Autor

Paulo Cesar Velho Steccanella

Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da Universidade do Extremo Sul
Catarinense (UNESC). Correio eletrônico: paulosteccanella@icloud.com.

Débora Ferrazzo

Doutora em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), docente no Programa de PósGraduação em Direito (PPGD) da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Correio
eletrônico: debora@unesc.net.

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Publicado

2025-12-11