IMPLEMENTAÇÃO DA RESOLUÇÃO Nº 254/2018 DO CNJ NOS TRIBUNAIS DO NORDESTE

UM ESTUDO COM ÊNFASE NO MAPEAMENTO DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA DE SERGIPE (TJSE), BAHIA (TJBA), ALAGOAS (TJAL), PERNAMBUCO (TJPE) E PARAÍBA (TJPB)

Autores

  • Ellen Késia de Carvalho Montalvão Oliveira
  • Hagda da Cunha
  • Gabriela Maia Rebouças

Resumo

A Resolução nº 254/2018 do Conselho Nacional de Justiça consolidou diretrizes para a política
judiciária de gênero, impondo aos tribunais brasileiros o desafio de superar a histórica
neutralidade institucional diante da violência contra as mulheres. Apesar de representar um
marco normativo, sua implementação nos tribunais do Nordeste revela um cenário desigual e
fragmentado. Este artigo apresenta um mapeamento documental da aplicação da Resolução
em cinco Tribunais de Justiça Estadual da região Nordeste, sendo os Tribunais de Sergipe,
Alagoas, Bahia, Pernambuco e Paraíba, a partir das dimensões: funcionalidade das
Coordenadorias da Mulher; existência e atualização de planos e relatórios; regularidade de
campanhas e ações educativas; mecanismos de escuta institucional; articulação com a rede
de proteção; e acessibilidade das informações ao público. A metodologia, baseada no
levantamento bibliográfico e documental, através de fontes públicas de dados dispostos pelos
tribunais, além de relatórios do próprio CNJ. O referencial teórico ancora-se na crítica à
violência institucional, compreendida como perpetuação da desigualdade de gênero. Os
resultados indicam que os tribunais atendem parcialmente à Resolução, mas a existência de programas ou a mera conformidade formal com a Resolução não garantem efetividade nem
transformação das práticas judiciais, sendo determinantes fatores como vontade política,
disponibilidade orçamentária e articulação interinstitucional. Conclui-se que, embora haja
iniciativas relevantes e potencialmente replicáveis, persistem desafios estruturais que
comprometem a consolidação de uma política judiciária robusta, interseccional e transparente.
O estudo busca contribuir para o fortalecimento do controle social, da responsabilidade e da
promoção dos direitos humanos das mulheres no contexto do sistema de justiça estadual. 

Biografia do Autor

Ellen Késia de Carvalho Montalvão Oliveira

Graduanda em Direito pela Universidade Tiradentes (UNIT). Aracaju/SE. Bolsista de Iniciação
científica PIBIC/CNPq 2024/2025.E-mail: ellen.kesia@souunit.com.br.

Hagda da Cunha

Mestranda em Direitos Humanos na linha de pesquisa Direitos Humanos na Sociedade pelo Programa
de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação da Universidade Tiradentes (PPGD/UNIT).
Bolsista acadêmica pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Email: mestrado_hagda@souunit.com.br.

Gabriela Maia Rebouças

Doutora em Direito pela UFPE com estágio pós-doutoral em Coimbra/PT. Docente do Programa de
Pós-graduação em Direitos Humanos da UNIT/SE. Líder do grupo de pesquisa Acesso à justiça,
direitos humanos e resolução de conflitos, ativo do diretório do CNPq. E-mail: gabriela_maia@unit.br

Downloads

Publicado

2025-12-11