ENTRE ALGORITMOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS, RISCOS DE VIESES ALGORÍTMICOS NA AUTOMAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS
Resumo
O crescimento exponencial da litigiosidade no Brasil, com cerca de 80 milhões de
processos em tramitação segundo o Relatório Justiça em Números (CNJ,2025), tem
impulsionado o uso de sistemas de Inteligência Artificial (IA) no Poder Judiciário como
ferramenta estratégica para enfrentar a morosidade processual e otimizar fluxos
decisórios. As aplicações são para auxiliar na triagem, classificação e apoio
redacional. Sistemas como Victor (STF), Sinapses (CNJ) e GAIA (TJRS) já vêm sendo
aplicados para classificação de demandas, análise de precedentes e elaboração de
minutas de decisões, promovendo ganhos significativos de eficiência. Contudo, a
crescente automação das decisões judiciais suscita preocupações quanto à
segurança jurídica e à proteção de direitos fundamentais, em especial diante dos
riscos de vieses algorítmicos. O estudo analisa os riscos de vieses algorítmicos
nessas aplicações e seus impactos sobre direitos fundamentais (igualdade, devido
processo, motivação e publicidade). Com abordagem qualitativa, de natureza
exploratória e descritiva, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental
e levantamento jurisprudencial, o estudo (i) sistematiza fontes de viés ao longo do
ciclo de vida dos sistemas, (ii) confronta tais riscos com o marco constitucional, a
LGPD, o CPC e diretrizes do CNJ, e (iii) propõe um modelo de governança
(framework) com documentação fichas técnicas de dados (datasheets) e fichas
técnicas de modelos (model cards), avaliação de impacto, métricas de fairness,
fundamentação qualificada, contraditório técnico, monitoramento e auditorias.
Conclui-se que ganhos de eficiência são compatíveis com as garantias processuais
quando há controle humano significativo, transparência e prestação de contas. Os
resultados preliminares indicam que, embora a IA traga benefícios, é urgente a
definição de diretrizes éticas, regulamentações robustas e mecanismos de auditoria
algorítmica que assegurem a transparência e a equidade.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Declaro (amos) que a pesquisa descrita no manuscrito submetido está sob nossa responsabilidade quanto ao conteúdo e originalidade, além de não utilização de softwares de elaboração automática de artigos. Concordamos ainda com a transferência de direitos autorais a Revista de Extensão da Unesc.
Na qualidade de titular dos direitos autorais relativos à obra acima descrita, o autor, com fundamento no artigo 29 da Lei n. 9.610/1998, autoriza a UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense, a disponibilizar gratuitamente sua obra, sem ressarcimento de direitos autorais, para fins de leitura, impressão e/ou download pela internet, a título de divulgação da produção científica gerada pela UNESC, nas seguintes modalidades: a) disponibilização impressa no acervo da Biblioteca Prof. Eurico Back; b) disponibilização em meio eletrônico, em banco de dados na rede mundial de computadores, em formato especificado (PDF); c) Disponibilização pelo Programa de Comutação Bibliográfica – Comut, do IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia.
O AUTOR declara que a obra, com exceção das citações diretas e indiretas claramente indicadas e referenciadas, é de sua exclusiva autoria, portanto, não consiste em plágio. Declara-se consciente de que a utilização de material de terceiros incluindo uso de paráfrase sem a devida indicação das fontes será considerado plágio, implicando nas sanções cabíveis à espécie, ficando desde logo a FUCRI/UNESC isenta de qualquer responsabilidade.
O AUTOR assume ampla e total responsabilidade civil, penal, administrativa, judicial ou extrajudicial quanto ao conteúdo, citações, referências e outros elementos que fazem parte da obra.