ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DA MORTALIDADE POR INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO EM COMPARAÇÃO COM A MORTALIDADE POR PARADA CARDÍACA SEGUNDO SEXO E FAIXA ETÁRIA NO BRASIL ENTRE OS ANOS DE 2013 E 2023
DOI:
https://doi.org/10.18616/inova.v16i1.10548Resumo
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, representando cerca de um terço de todos os óbitos, com o infarto agudo do miocárdio (IAM) e o acidente vascular cerebral como as formas mais prevalentes e letais. A oclusão coronariana aguda ocorre devido à obstrução do fluxo sanguíneo coronariano, provocando necrose do músculo cardíaco, e pode desencadear complicações graves, incluindo alterações elétricas no coração que levam à parada cardiorrespiratória. No Brasil, também se observa alta morbimortalidade por síndrome coronariana aguda, com aumento das internações e mortalidade intra-hospitalar. A parada cardiorrespiratória (PCR) é caracterizada pela falha súbita da atividade elétrica do coração e é frequentemente associada a oclusão coronariana aguda. A fibrilação ventricular é o distúrbio mais comum nesse contexto, sendo muitas vezes fatal se não revertido rapidamente. O prognóstico da parada cardíaca é significativamente pior, já que a chance de sobrevida diminui drasticamente a cada minuto sem ressuscitação cardiopulmonar. Como muitos casos ocorrem em ambiente extra-hospitalar uma parcela considerável de óbitos ocorre antes do atendimento médico, e poucos sobrevivem até a alta hospitalar. O estudo integrado de infarto agudo do miocárdio e parada cardiorrespiratória é fundamental, pois permite compreender melhor os mecanismos de descompensação cardíaca, identificar fatores de risco, orientar estratégias de prevenção e aprimorar políticas de manejo clínico, considerando diferenças por idade, sexo e contexto de atendimento. Nesse sentido, o presente estudo tem por objetivo analisar a tendência da mortalidade por infarto agudo do miocárdio segundo sexo e faixa etária, correlacionando com os dados de óbito por parada cardíaca no Brasil entre 2013 e 2023. Foi realizado um estudo de caráter epidemiológico, retrospectivo e descritivo, utilizando dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS), coletados via TABNET, em outubro de 2025. Os dados foram obtidos a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) e as variáveis coletadas foram o número de óbitos por infarto agudo do miocárdio (CID-10 i21) e número de óbitos por parada cardíaca (CID-10 i46) no Brasil, nos anos de 2013 a 2023, segundo sexo e faixa etária. Durante o período analisado, observou-se 1.017.922 óbitos por infarto agudo do miocárdio e 20.541 mortes por parada cardiorrespiratória com aumento registrado de forma constante. Houve predomínio de óbitos em homens (59,15% e 56,74% para IAM e PCR, respectivamente) e idosos maiores de 80 anos (26,67% e 35,47% para IAM e PCR, respectivamente) nas duas causalidades analisadas. O número de internações hospitalares cresceu 82,7% nos anos analisados, com taxa média de crescimento anual de 6,2%. Apesar da redução da mortalidade hospitalar por oclusão coronariana aguda em 4,22%, os óbitos por parada cardiorrespiratória cresceram expressivamente, refletindo lacunas no reconhecimento precoce dos sintomas e no atendimento pré-hospitalar. A proporção entre o total de óbitos por infarto agudo do miocárdio pelos óbitos por parada cardiorrespiratória caiu expressivamente de 2013 (107,16) para 2023 (26,1) o que reforça o aumento registrado no número de óbitos por parada cardiorrespiratória e sugere melhora na detecção e registro dos casos dessa patologia. A forte correlação entre infarto agudo do miocárdio e parada cardiorrespiratória (r=0,79 e p=0,0036) corrobora com as atuais bibliografias que afirmam que o infarto é a principal causa de paradas cardíacas no Brasil, frequentemente registradas em ambiente extra-hospitalar. Tendo o exposto em vista, a maior vulnerabilidade observada entre homens e idosos pode estar relacionada ao envelhecimento populacional e aos impactos da pandemia do COVID-19, que contribuíram para a redução das internações e atraso na busca por atendimento médico. Como consequência, muitos óbitos por IAM têm sido registrados como parada cardiorrespiratória extra-hospitalar. Apesar da queda da mortalidade hospitalar por infarto agudo do miocárdio, os óbitos por parada cardiorrespiratória continuam a crescer, evidenciando a necessidade de aprimorar as medidas de prevenção, diagnóstico precoce e suporte imediato para reduzir a mortalidade do risco cardiovascular.
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