UBERIZAÇÃO DO TRABALHO: A ILUSÃO DE NÃO SE SUBORDINAR

Autores

  • Fábio Cannas

Resumo

O fenômeno social da Uberização vem provocando profundas transformações no mundo do trabalho. Milhões de pessoas em todo o mundo tem buscado através de plataformas de serviços digitais, uma nova alternativa de gerar renda, seja como sua atividade principal, seja como complementação de outra fonte de remuneração. O setor de transporte privado de passageiros por aplicativo foi um dos pioneiros em gerir esse modelo de negócio e a empresa Uber uma das principais líderes do mercado mundial. Em seu site a empresa usa jargões sedutores como: “faça um bom dinheiro”, “defina seu próprio horário”, “que tal ganhar sem ter chefe?” para conquistar novos motoristas. Uma estratégia que vem funcionando e multiplicando em larga escala não apenas trabalhadores motoristas como também os usuários. Nesse sentido, o Brasil é o mercado em que a empresa mais cresce, sendo responsável por quase 30% de sua operação. Essa nova relação estrutura-se em três pilares: usuário / tecnologia / trabalhador. Os usuários se beneficiam de um serviço rápido, eficiente e barato. As empresas de tecnologia lucram milhões. E no elo mais frágil, os trabalhadores são submetidos a extensas jornadas, com recursos próprios, sem regulamentação e proteção social. A partir de uma pesquisa bibliográfica de caráter exploratório, buscaremos refletir como a questão da subordinação é central para a caracterização de uma relação clássica de assalariamento entre motoristas e a Uber.

Palavras-chave: Uberização, subordinação, trabalho.

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Publicado

2020-04-01

Edição

Seção

Políticas Públicas, Direitos Fundamentais e Trabalho Digno