Descolonizando o ser homem: reflexões sobre masculinidades negras
Abstract
Este trabalho tem como tema as masculinidades negras e propõe uma análise crítica
das construções sociais que moldam o ser homem negro no Brasil. O objetivo principal
é refletir sobre como o racismo estrutural e o legado colonial impactam a subjetividade,
os afetos e as formas de expressão masculina entre homens negros. A pesquisa se
ancora em uma abordagem qualitativa, de cunho bibliográfico, com base em autores
como bell hooks, Silvio Almeida, Frantz Fanon, Grada Kilomba e Raewyn Connell,
além da análise de produções culturais contemporâneas (música, literatura e cinema)
que problematizam a masculinidade negra. A metodologia adotada possibilitou
identificar que os homens negros, historicamente marginalizados e estigmatizados
como violentos ou hipersexualizados, enfrentam uma dupla opressão: por serem
negros e por estarem inseridos em um modelo patriarcal de masculinidade. Os
resultados evidenciam a importância de descolonizar as noções de masculinidade,
promovendo uma reconstrução baseada em afeto, cuidado, vulnerabilidade e
ancestralidade. Também foi possível perceber a emergência de novas narrativas,
protagonizadas por homens negros, que desafiam o modelo hegemônico e propõem
outras formas de ser homem. Conclui-se que, para que essas novas masculinidades
se consolidem, é necessário criar espaços de escuta, fortalecimento e pertencimento,
além de políticas públicas que reconheçam as especificidades da vivência masculina
negra no Brasil.
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