Uma Outra Escritura A Partir Do Diálogo Fedro
Abstract
No início do Diálogo Fedro, de Platão, Sócrates declara-se um “doente por ouvir discursos”. Todavia, o “remédio” capaz de afastá-lo da cidade, de onde não costuma sair, é um discurso escrito. Com isso, notamos nossa proposta de reflexão, para este trabalho, já nas primeiras cenas do Diálogo. Trataremos de outro tipo de escritura: uma grafia psíquica da verdade. Para tanto, investigaremos o possível fascínio que a escrita exerce em Sócrates, Construiremos nosso trajeto a partir do “Mito de Theuth”, uma tradição que o filósofo ouviu dos antigos, e com ela apresenta o tema da conveniência ou da inconveniência da escrita. Tomada, a princípio, como atividade reprovável em relação à fala, a escrita passa a ser considerada, também, como um modo eficaz à grafia psíquica da verdade, pois o fundamento dos discursos – falados ou escritos – estaria no seguimento dos requisitos da retórica filosófica. Abordaremos, então, dois tipos interligados de escritura: uma viva e escritora do verdadeiro na alma; outra suplementar, que funcionaria como “lembrete” de aprendizados.Downloads
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