A travessia do luto com uma tulipa nas mãos: a biblioterapia como caminho de escuta e elaboração do vazio que nos deixa a morte

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.18616/lendu.v10i1.10062

Resumen

Este ensaio propõe uma reflexão sobre a biblioterapia como prática simbólica de escuta e elaboração do luto, a partir da leitura sensível do livro O pato, a morte e a tulipa, de Wolf Erlbruch. Escrito a partir de uma experiência pessoal de perda familiar, o texto discute como a literatura pode oferecer um espaço de permanência simbólica diante da dor, sem buscar consolo imediato ou cura. Com base nos pensamentos de Dante Gallian, Cristiane Seixas, Clarice Fortkamp Caldin e Michèle Petit, compreende-se a literatura não como ferramenta clínica, mas como possibilidade de atravessamento, reconhecimento e organização da ausência. O livro escolhido, embora classificado como literatura infantil, revela uma profunda carga filosófica e afetiva, abordando a morte com delicadeza e honestidade. A biblioterapia, assim, é entendida menos como técnica e mais como gesto ético: um modo de estar com o outro no território da dor, sem apressar soluções. Ao entrelaçar vivência pessoal, análise literária e reflexão teórica, o ensaio defende que ler em tempos de luto é um ato de cuidado; com o outro e consigo mesmo. É uma forma de dar linguagem à ausência e permitir que a dor respire. A literatura, nesse contexto, não resgata, mas devolve o sujeito a si mesmo, permitindo que se habite o vazio com menos pressa e mais escuta. Segurar uma tulipa junto do vazio deixado pela perda é o gesto simbólico que este texto propõe: reconhecer a ausência e saber conversar com ela, sem deixar de ver a beleza das flores.

 

 Palavras-chave: biblioterapia; luto; escuta; literatura; ausência.



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Biografía del autor/a

Gladir Cabral, Unesc

Possui graduação em Letras pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (1991), mestrado em Letras (Inglês e Literatura Correspondente) pela Universidade Federal de Santa Catarina (1996) e doutorado em Letras (Inglês e Literatura Correspondente) pela Universidade Federal de Santa Catarina (2000). Atualmente é professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense, no curso de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Educação. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Inglesa e Norte-Americana, mas atua também na área de Teoria Literária e no Mestrado em Educação. Desenvolve pesquisa principalmente nos seguintes temas: educação e identidade cultural, literatura, linguagem e escrita de si. Já foi presidente do Conselho Editorial da Unesc (2000-2010). Está ligado ao Imaginative Education Research Group (IERG), com sede em Vancouver, no Canadá, e ligações com pesquisadores de vários países. Participa também do Littera: Correlações entre Cultura, Processamento e Ensino: a Linguagem em Foco, grupo de pesquisa inscrito no Diretório de Grupos do CNPq. Parecerista da revista International Journal of Education Through Art, uma revista interdisciplinar publicada em Bristol (UK) focada na intersecção entre educação e arte. É membro do Comitê Gestor do Pacto Nacional Universitário pela Promoção do Respeito à Diversidade, da Cultura da Paz e dos Direitos Humanos, da Unesc.

Publicado

2026-08-17