“PARAÍSO LUSO-TROPICAL”. REDEMPTION, DE MIGUEL GOMES
DOI:
https://doi.org/10.18616/ce.v5i1.2472Resumo
A média-metragem Redemption (2013), de Miguel Gomes, é composta por
quatro cartas ficcionais de políticos europeus. Na primeira missiva, datada de 1975,
Pedro Passos Coelho escreve, de uma aldeia de Trás-os-Montes, aos pais que ficaram
em Angola. O texto de 2013 traça uma continuidade geográfica e histórica entre três
espaços-tempos: o mundo rural do Portugal revolucionário de janeiro de 1975; o
espaço colonial prestes a alcançar a independência; o País em 2013. A comunicação
debruça-se sobre o modo como a narrativa fílmica desloca a visão da África colonial
portuguesa e a sua representação cinematográfica enquanto “paraíso tropical”,
expressão de Amílcar Cabral. Através de uma análise das formas fílmicas de
Redemption, o texto aborda o processo de redistribuição espácio-temporal dos topoï
coloniais e a emergência de novas constelações audiovisuais como um espaço crítico
das representações do passado e uma sintomatologia do presente.
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