O MODO DE SER HERMENÊUTICO DE GADAMER E OS MODOS DE SUBJETIVAÇÃO DE FOUCAULT PODEM NOS AJUDAR A PENSAR A EDUCAÇÃO EM TEMPOS NECROPOLÍTICOS?

Autores

  • Leonardo Marques Kussler Pesquisador autônomo

DOI:

https://doi.org/10.18616/ce.v12i1.7396

Resumo

Os estudos foucaultianos acerca dos modos de subjetivação a partir das práticas de si são inúmeros, mas pouco se fala de sua relação com a tradição hermenêutica contemporânea. Partindo desse pressuposto, no presente artigo, o objetivo é explorar aproximações das formas de subjetivação de Foucault ao modo de ser hermenêutico de Gadamer. Asim, na primeira seção, trato de alguns elementos da reflexão ética da obra de Foucault, destacando aspectos de sua abordagem do cuidado de si, do governo de si e da estética existencial, destacando como sua estrutura teórica também reverbera o pensamento de outros autores na busca pela constituição da subjetividade, inclusive no que diz respeito à educação e à bio/necropolítica contemporânea. Na segunda seção, exploro como é possível relacionar as práticas de si foucaultianas ao modo de ser hermenêutico a partir da proposta ético-existencial da hermenêutica filosófica de Gadamer, que entende que a tarefa de compreensão de si e do mundo engloba uma mudança ética não solipsista. Por fim, argumento que tais perspectivas de Foucault e Gadamer podem ser lidas complementarmente, visto que ambas se ocupam de elevar o processo de [auto]compreensão a um modo de construção da subjetividade mais crítica, ética, acolhedora e que representa uma resistência ao biopoder, contribuindo para uma educação mais capacitada a lidar com a realidade contemporânea.

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Publicado

2023-05-30

Edição

Seção

Dossiê: Necropolítica e educação: desafios para o tempo presente