Entre a mediação institucional e a purificação técnica: a construção social do mercado das associações de cannabis medicinal no Brasil

Authors

DOI:

https://doi.org/10.18616/rdsd.v12i1.10681

Keywords:

Sociologia Economica, Mercados Contestados, Cannabis Medicinal

Abstract

From absolute illegality to surveilled regulation: Brazil's medicinal cannabis traveled this path not through state action, but through the tactical agency of civil associativism. Drawing on Economic Sociology, we analyze two structural moments: "guerrilla legality" and "sanitary conformity" (Anvisa RDCs, 2026), to argue that regulation is not synonymous with democratization.

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biographies

Ítalo Gordiano, Universidade Federal de Sergipe

Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe.

Marina de Souza Sartore, Universidade Federal de Sergipe

É professora Associada IV de Sociologia da Universidade Federal de Sergipe - Campus de São Cristóvão. Atua também na Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe. É líder do Laboratório de Estudos sobre Mercados e Organizações na Sociedade (LEMOS). É atual editora-chefe da Revista TOMO do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFS.

References

ARGENTINA. Ministerio de Salud. Cannabis Medicinal. Buenos Aires, 2025. Disponível em: https://www.argentina.gob.ar/salud/cannabis-medicinal Acesso em: 28 fev. 2026.

BASTIDE, Roger. Introdução a um Curso de Sociologia Econômica. Sociologia, São Paulo, v. 4, n. 4, p. 359-367, 1942.

BECKER, Howard S. Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

BERGERON, Henri; NOUGUEZ, Étienne. Les frontières de l'interdit: le commerce de cannabis. In: STEINER, Philippe; TRESPEUCH, Marie (Orgs.). Marchés contestés: quand le marché rencontre la morale. Toulouse: Presses Universitaires du Mirail, 2014.

BRASIL. Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 24 ago. 2006.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 635.659. Relator: Min. Gilmar Mendes. Brasília, DF: STF, 2024.

CASTELLS, M. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. - 1.ed. - Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

CERQUEIRA, Ítalo Gordiano de. Dinâmica digital da maconha: uma abordagem sociológica sobre os perfis das associações brasileiras de Cannabis medicinal no Instagram. 2023. 111 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2023.

COSKUNER-BALLI, Gokcen et al. Institutional Work and Brand Strategy in the Contested Cannabis Market. Journal of Macromarketing, v. 41, n. 4, p. 670-690, 2021.

DÓRIA, José Rodrigues da Costa. Os fumadores de maconha: efeitos e males do vício. In: HENMAN, Anthony; PESSOA JÚNIOR, Osvaldo (Orgs.). Diamba Sarabamba: coletânea de textos brasileiros sobre a maconha. São Paulo: Ground, 1986.

DOUGLAS, Mary. Como as instituições pensam. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998.

FERNANDES, Florestan. A Economia Tupinambá: ensaio de interpretação sociológica do sistema econômico de uma sociedade tribal. Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, v. 122, p. 7-77, 1949.

FLIGSTEIN, Neil. Markets as politics: a political-culture approach to market institutions. American Sociological Review, v. 61, n. 4, p. 656-673, 1996.

FONTELLA, Odil Matheus. A Novidade do Passado: a Sociologia Econômica no Brasil (1935-1979). Revista TOMO, São Cristóvão, v. 44, e20837, 2025.

FOUCAULT, Michel. A Ordem do Discurso. 22. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2012.

FOURCADE, Marion; HEALY, Kieran. Moral Views of market society. Annual Review of Sociology, v. 33, p. 285-311, 2007.

NFOBAE. Bullrich adelantó que revocarán los permisos para cultivar marihuana: "No es ley, es el desvío a la venta ilegal". Infobae, 14 fev. 2025. Disponível em: https://www.infobae.com/politica/2025/02/14/bullrich-adelanto-que-revocaran-los-permisos-para-cultivar-marihuana-no-es-ley-el-desvio-a-la-venta-ilegal/ Acesso em: 28 fev. 2026.

GORDIANO, Ítalo. Rodrigues Dória e a maconha no início do século XX. In: Anais do X SILC/SENALIC. Programação e caderno de resumos. São Cristóvão - SE: GELIC, 2022.v.10. p.25 – 26.

KAYA MIND. Anuário da Cannabis no Brasil 2025: Dados de mercado, tendências e cenário regulatório. São Paulo: Kaya Mind Inteligência de Mercado, 2025.

MAZON, Marcia da Silva. Indústria farmacêutica e psiquiatria no quadro da Sociologia Econômica: uma agenda de pesquisa. Política & Sociedade, Florianópolis, v. 18, n. 43, p. 136-161, 2019.

ORLANDI, Eni P. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. São Paulo: Pontes Editores, 2015.

POLICARPO, Frederico; VALENTE, Mário José Bani. Do delito às demandas por direito: as associações canábicas como tecnologia social. In: PEREIRA, Thiago F. P. D.; MAXX, Matias (Orgs.). Maconha no Brasil Contemporâneo: reflexões, desafios e possibilidades para além da cannabis medicinal. Rio de Janeiro: Editora Vista Chinesa, 2024. p. 61-72.

RODRIGUES, A. P. L. S. et al. "Ninguém está falando em liberação da droga": ressignificação da maconha nos programas matinais das redes Globo e Record. Research, Society and Development, v. 10, n. 2, 2021. DOI: http://dx.doi.org/10.38116/bapi24art5.

SAAD, Luísa. Medicina Legal: o discurso médico e a criminalização da maconha. Revista de História, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 59-70, 2010.

SÃO PAULO (Estado). Lei nº 17.618, de 31 de janeiro de 2023. Institui a política estadual de fornecimento gratuito de medicamentos à base de canabidiol. São Paulo, SP: Diário Oficial do Estado de São Paulo, 1 fev. 2023.

SARTORE, Marina de Souza; LEITE, Elaine da Silveira. Desconstruindo os dispositivos dos mercados: aportes da Sociologia Econômica. Revista TOMO, São Cristóvão, n. 30, 2017.

SECHAT. Novo Reprocann: regras para registro e cultivo de cannabis medicinal na Argentina mudam até 2025. Sechat, 2025. Disponível em: https://sechat.com.br/noticia/novo-reprocann-regras-para-registro-e-cultivo-de-cannabis-medicinal-na-argentina-mudam-ate-2025-1. Acesso em: 28 fev. 2026.

SOUZA, Eder Claudio Malta. Espaços políticos do consumo: Juventudes, políticas de visualidades e ativismos canábicos. Revista Tomo, São Cristóvão, v. 43, e21016, 2024.

SOUZA, Jorge E. L. Sonhos da diamba, controles do cotidiano: uma história da criminalização da maconha no Brasil republicano. Salvador: EDUFBA, 2015.

SOARES, Milena Karla. Ignorância e políticas públicas: a regulação de cannabis medicinal no Brasil. Boletim de Análise Político-Institucional, Brasília: Ipea, n. 24, p. 57-68, nov. 2020.

STEINER, Philippe. Contested Markets: morality, devices and vulnerable populations. China Journal of Social Work, v. 8, n. 3, p. 204-216, 2015.

STEINER, Philippe; TRESPEUCH, Marie (Orgs.). Marchés contestés: quand le marché rencontre la morale. Toulouse: Presses Universitaires du Mirail, 2014.

VIEIRA, Mateus Tobias; JARDIM, Maria Chaves. O Estado e a produção de convenções sociais acerca do mercado de armas de fogo no Brasil. Tempo Social, São Paulo, v. 36, n. 1, p. 217-237, 2024.

ZANATTO, Rafael M. Associativismo canábico: passado, presente e futuro. In: ZANATTO, Rafael M. (Org.). Introdução ao associativismo canábico. São Paulo: Plataforma Brasileira de Política de Drogas, 2020.

ZELIZER, Viviana. The Purchase of Intimacy. Princeton: Princeton University Press, 2005.

Published

2026-07-07

How to Cite

GORDIANO, Ítalo; DE SOUZA SARTORE, Marina. Entre a mediação institucional e a purificação técnica: a construção social do mercado das associações de cannabis medicinal no Brasil. Revista Desenvolvimento Socioeconômico em Debate, [S. l.], v. 12, n. 1, p. 191–216, 2026. DOI: 10.18616/rdsd.v12i1.10681. Disponível em: https://periodicos.unesc.net/ojs/index.php/RDSD/article/view/10681. Acesso em: 8 jul. 2026.